PARTE TUA

Sábado, Janeiro 31, 2009

Hoje, durante meu programa predileto de fim de semana - a ida ao supermercado, passei por um dos momentos mais patéticos na vida: na seção de material de limpeza, em meio a "veja multi uso" e "omo dupla ação", tive uma baita crise de choro. pirei. pirei em público. e doeu. doeu pra chuchu.
Acho mesmo que o rapaz responsável pela música ambiente anda meio deprê também, porque nada além disso justificaria colocar, num sábado de 40º graus em pleno rio de janeiro, "you light up my life".
Triste ele. triste eu.
C. - 10:49 PM
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Sábado, Janeiro 24, 2009

Difícil o desapego. tentativas tantas. tontas.
Recaídas sem fim, vontades de morte, pirações entre lençóis, gente conhecida, gente que passou. retornando tudo, inclusive ela.
Já não existe mais o sentimento firme e forte, nem a vontade que permanece mesmo "quando o próprio amor vacila'", existe, sim, e a importância disso somente a idade te mostra, a cumplicidade, a história e a lembrança. então, fico no aguardo, covarde e feio, de ventos fortes que estão por vir. (pres)sinto.
Passo pelas pessoas que me acenam com qualquer possibilidade de afeto ou amor, velho ou novo, e, assim, tenho desculpas, auto-indulgências, para fazer tudo de mais vil que condeno nos outros. de onde concluo que meu caso é patológico. e eu não presto.
C. - 10:41 PM
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Quinta-feira, Janeiro 15, 2009

Já tinha esquecido como é estranho não estar namorando ou morando junto.
penso em programas, me animo bem e depois bate estranho um lance e acabo desistindo.
possuo uma certa cronologia do desamparo: aos sábados combino, com os poucos e queridos amigos que quero por perto, alguma coisinha aqui em casa; mas é tanto casal, tanto amor, tanto projeto junto, que irrita, chateia e enjoa. depois chegam os domingos quando pego o carro e resolvo dar voltas - acabo invariavelmente dentro de algum supermercado comprando qualquer coisa para beber/comer. sozinha. e, quase sempre, neste intervalo dolorido entre os sábados bombantes e os domingos radiantes, naquela hora da noite em que dá para escutar qualquer tosse mais alta no ponto de ônibus em frente, resta a janela para observar o quase nada que se passa nas ruas, jogar círculos de fumaça para a escuridão e ouvir o tilintar da minha taça no parapeito.
estou tão condicionada a programas a dois que, na verdade, perco bem o rumo do que fazer agora. e acabo não fazendo nada além de sentir uma falta danada.
C. - 9:27 PM
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Sexta-feira, Janeiro 02, 2009

As grandes decisões foram tomadas antes do fim do ano, exatamente para que 2009 começasse assim: limpo.
Rompimentos e reencontros, palavras e silêncios, foram por mim determinados - e isso proporciona uma sensação estranha que beira o egoísmo, mas que cheira a liberdade. Do que farei de tudo isso ainda não sei, ou sei e ainda não quero pensar, contudo, o que iniciou está sendo diferente: meu, só meu.
A chuva que estreou o novo ano, acabou por lavar tanta coisa, levar tanta coisa. e o momento é meu. meu e de mais ninguém.

Que seja doce. quase como prece. como prece. e fé. e certeza. e desejo. e vontade. e.

















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